Mecânico de Aeronaves

Coordenador do Curso de Mecânico de Manutenção de Aeronaves da AEROTD integra pesquisa científica

Charles Hardt

Postado em 13 de agosto de 2026

Conhecimento que não para em sala de aula: coordenador da AEROTD participa de grupo de pesquisa da UDESC

Quando um professor continua pesquisando, estudando e discutindo ciência, quem ganha não é apenas o seu currículo. Ganha também a sala de aula.

Essa é uma reflexão importante para entender a participação do professor Erickson Zacharias Barboza, coordenador do curso de Mecânico de Manutenção de Aeronaves da AEROTD, em atividades de grupo de pesquisa vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano (PPGCMH), da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

Erickson, que é mestre pela UDESC e também atua como professor da AEROTD, participou recentemente da apresentação de estudos desenvolvidos no ambiente acadêmico do PPGCMH, ampliando uma conexão que vai além da especialidade profissional de cada participante: a conexão com a pesquisa, o método científico, a análise crítica e a construção de conhecimento.

E é justamente aí que está o ponto mais importante dessa história.

Mas o que Ciências do Movimento Humano tem a ver com a aviação?

À primeira vista, alguém poderia fazer uma pergunta bastante legítima:

“Se Erickson coordena um curso de Mecânico de Manutenção de Aeronaves, por que participar de um grupo de estudos ligado às Ciências do Movimento Humano?”

A resposta revela algo maior sobre educação.

Formação profissional de qualidade não acontece apenas dentro dos limites de uma área.

Um coordenador de curso não precisa conhecer somente manutenção aeronáutica. Ele precisa continuar exercitando algo ainda mais importante: a capacidade de investigar problemas, interpretar evidências, questionar resultados, analisar métodos e acompanhar como o conhecimento científico é produzido.

O PPGCMH/UDESC trabalha exatamente dentro dessa lógica.

Segundo a própria Universidade, o programa tem como objetivo formar docentes, pesquisadores e profissionais especializados capazes de contribuir para a produção de ciência, tecnologia e inovação. Entre suas propostas está também estimular pesquisadores com autonomia, capacidade crítica e condições de produzir pesquisas de impacto.

Em outras palavras: não se trata apenas de estudar movimento humano. Trata-se de aprender a pesquisar.

E isso muda tudo.

Um programa com história na formação de pesquisadores

O Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano pertence ao Centro de Ciências da Saúde e do Esporte (CEFID) da UDESC.

O programa iniciou suas atividades em 1997, com o Mestrado Acadêmico. Posteriormente, teve aprovado o curso de Doutorado e, ao longo de sua trajetória, já titulou mais de 500 pesquisadores.

A própria UDESC destaca que muitos desses profissionais seguem atuando como pesquisadores e docentes em cursos de graduação e pós-graduação, além de contribuírem para publicações científicas nacionais e internacionais.

O PPGCMH mantém uma proposta de formação que aproxima ensino, pesquisa e extensão, buscando fazer com que o conhecimento produzido dentro da universidade também tenha impacto fora dela.

Esse ponto merece atenção.

Pesquisa não deveria existir apenas para gerar artigos que poucos irão ler.

Pesquisa precisa ajudar a formular perguntas melhores, testar respostas e, quando possível, transformar práticas.

Esse é um dos grandes valores de programas de pós-graduação consolidados: criar ambientes em que ideias precisam sobreviver à análise, ao método, à comparação de dados e à discussão entre pesquisadores.

Pesquisa apresentada envolve interações mecânicas miofasciais

Entre as atividades acompanhadas por Erickson esteve a apresentação relacionada ao trabalho de doutorado de Luiz Henrique Cabral Duarte, no âmbito do PPGCMH.

O estudo aborda as interações mecânicas miofasciais em membros inferiores, com desenvolvimento metodológico e investigação experimental in vivo, tendo como orientadores os professores Dr. Iramar Baptistella do Nascimento e Dr. Gilmar Moraes Santos.

Pode parecer um assunto distante da rotina de quem trabalha com aviação.

Mas é justamente aqui que aparece um dos aspectos mais interessantes da ciência: áreas diferentes podem compartilhar métodos, formas de investigação, análise de dados e maneiras de solucionar problemas.

Luiz Henrique Cabral Duarte e pesquisadores ligados à UDESC também assinam estudo científico publicado em 2026 na revista internacional Scientific Reports, do grupo Nature, envolvendo o desenvolvimento de protocolo de avaliação por mapeamento multiponto utilizando miotonometria. O artigo conta, entre seus autores, com Iramar Baptistella do Nascimento e Gilmar Moraes Santos.

Ou seja, estamos falando de um ambiente no qual a discussão científica não permanece apenas no campo teórico: ela também resulta em desenvolvimento metodológico, experimentação, análise e publicação.

A pesquisa também resultou na publicação de um estudo científico, em 2026, na revista internacional Scientific Reports, do grupo Nature, apresentando o desenvolvimento de um protocolo padronizado de avaliação por mapeamento multiponto utilizando miotonometria.

📄 Quer conhecer a pesquisa em detalhes? [Acesse aqui o artigo científico na íntegra.]https://aerotd.com.br/biblioteca/

O conhecimento cresce quando áreas diferentes conversam

Existe uma tendência na educação profissional de acreditar que quanto mais específico alguém for, melhor será sua formação.

Isso é verdade apenas até certo ponto.

Especialização é fundamental.

Isolamento intelectual, não.

Na aviação, talvez isso seja ainda mais evidente.

Um mecânico de manutenção aeronáutica trabalha em um ambiente que exige precisão, procedimentos, análise de falhas, interpretação de evidências, tomada de decisão, segurança e responsabilidade.

A pesquisa científica também exige várias dessas competências.

Ela começa com uma pergunta.

Depois exige método.

Os resultados precisam ser verificados.

Hipóteses podem estar erradas.

E conclusões precisam ser sustentadas por evidências.

Essa maneira de pensar ultrapassa qualquer área específica do conhecimento.

O que a participação do coordenador representa para a AEROTD?

A presença de um coordenador da AEROTD em ambientes como esse deve ser vista por uma perspectiva maior do que simplesmente registrar sua participação em uma atividade acadêmica.

Erickson Zacharias Barboza é atualmente apresentado pela própria AEROTD como coordenador do curso de Mecânico de Manutenção Aeronáutica, além de possuir formação de mestrado pela UDESC e experiência profissional ligada à manutenção e à investigação aeronáutica.

Quando um profissional com esse perfil permanece próximo da pesquisa, existe uma mensagem importante para os estudantes:

formação não termina quando recebemos um diploma.

Quem atua em áreas técnicas precisa continuar aprendendo.

Precisa continuar fazendo perguntas.

Precisa acompanhar novas metodologias.

E, principalmente, precisa estar disposto a rever aquilo que acreditava saber quando as evidências apontam para outro caminho.

Essa talvez seja uma das competências profissionais mais importantes atualmente.

Não basta ensinar o que já sabemos

Aqui está o ponto que muitas instituições de ensino evitam discutir:

uma escola não pode querer formar profissionais preparados para o futuro se seus professores deixarem de aprender depois que começam a ensinar.

Diploma, experiência e conhecimento técnico continuam sendo fundamentais.

Mas não são suficientes para sempre.

Tecnologias mudam.

Métodos evoluem.

Pesquisas apresentam novas evidências.

O mercado se transforma.

E a própria maneira como aprendemos também muda.

Por isso, a participação de docentes e coordenadores em grupos de estudos, pesquisas, congressos e programas de pós-graduação não deve ser vista apenas como atividade extracurricular.

É parte de uma cultura acadêmica saudável.

Na prática, significa manter quem ensina em contato com quem está questionando, pesquisando e produzindo o conhecimento que poderá chegar às salas de aula amanhã.

Ciência também é aprender a fazer perguntas melhores

Talvez essa seja uma das maiores contribuições da pesquisa para qualquer profissional.

Nem sempre ela entrega respostas imediatas.

Às vezes, faz algo ainda mais valioso:

Obriga a melhorar a pergunta.

E profissionais que aprendem a fazer perguntas melhores tendem a analisar problemas com mais profundidade.

Na manutenção aeronáutica, onde procedimentos, investigação de causas, segurança e precisão caminham juntos, essa mentalidade tem valor evidente.

Por isso, a participação do coordenador Erickson Zacharias Barboza em um ambiente de pesquisa multidisciplinar também reforça um princípio importante para a AEROTD: ensinar aviação significa formar profissionais tecnicamente preparados, mas também capazes de observar, analisar, questionar e continuar aprendendo ao longo da carreira.

Conhecimento que circula transforma a formação

Universidade, pesquisa e mercado profissional não deveriam funcionar como mundos separados.

Quando professores circulam entre esses ambientes, experiências se encontram.

Novas perguntas aparecem.

O conhecimento técnico ganha outras perspectivas.

E os estudantes passam a ter contato com professores que não apenas reproduzem aquilo que aprenderam no passado, mas continuam participando da construção do conhecimento no presente.

É assim que uma cultura de aprendizagem se fortalece.

E talvez seja essa a principal mensagem desta participação:

quem ensina também precisa continuar aprendendo.

Na aviação, onde segurança, atualização e precisão não são opcionais, essa postura faz ainda mais sentido.

Continue acompanhando o Decole Seu Futuro

Quer conhecer outras histórias de professores, pesquisadores, estudantes e profissionais que ajudam a aproximar educação, ciência e mercado aeronáutico?

Continue acompanhando o blog Decole Seu Futuro e descubra como o conhecimento produzido dentro e fora da AEROTD pode contribuir para formar os profissionais que a aviação precisa.


Referências:

DUARTE, Luiz Henrique Cabral et al. Development of a multi-point mapping protocol for myotonometric assessment: a methodological pilot study. Scientific Reports, Londres, v. 16, art. 4852, 2026. DOI: 10.1038/s41598-025-34869-5. Disponível em: Nature – Scientific Reports. Acesso em: 7 ago. 2026.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano: objetivos. Florianópolis: UDESC/CEFID, [s. d.]. Disponível em: portal institucional da UDESC – PPGCMH. Acesso em: 7 ago. 2026.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano: apresentação do programa. Florianópolis: UDESC/CEFID, [s. d.]. Disponível em: portal institucional da UDESC – PPGCMH. Acesso em: 7 ago. 2026.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano: perfil do egresso. Florianópolis: UDESC/CEFID, [s. d.]. Disponível em: portal institucional da UDESC – PPGCMH. Acesso em: 7 ago. 2026.

AEROTD – FACULDADE DE TECNOLOGIA. Curso de Mecânico de Manutenção Aeronáutica: coordenação do curso. Florianópolis: AEROTD, [s. d.]. Disponível em: portal institucional da AEROTD. Acesso em: 7 ago. 2026.


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