A-CDM em Guarulhos: como a decisão colaborativa melhora a eficiência das decolagens
Postado em 18 de junho de 2026
A-CDM em Guarulhos: como a decisão colaborativa pode transformar a pontualidade dos voos
No setor aéreo, cada minuto importa. É a partir dessa percepção que as autoras Talita Nobre da Silva, Edna Ghiorzi Varela Parente e Elisete Dahmer Pfitscher desenvolvem o estudo “The use of Airport Collaborative Decision Making and the indicators of variation of Target Off-Block Time, Target Start-Up Approval Time and Sequence Start, in decolages at Guarulhos International Airport”. O estudo aborda o desempenho dos voos de decolagem após a implementação do Airport Collaborative Decision Making (A-CDM) no Aeroporto de Guarulhos, nas companhias Gol, Latam e Azul. “O uso da Tomada de Decisão Colaborativa em Aeroportos e dos indicadores de variação TOBT (hora alvo de saída da rampa), TSAT (hora alvo de aprovação para partida) e SS (início da sequência), são indicadores que possibilitam a integração de sistemas para coordenar informações em tempo real, visa padronizar a comunicação, promovendo eficiência operacional, pontualidade e segurança , trazendo uma reflexão de como a tomada de decisão colaborativa pode impactar a eficiência das decolagens no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Em um aeroporto de grande movimento, uma aeronave que atrasa para sair do portão pode gerar reflexos na pista, na malha aérea, na escala das equipes, na experiência do passageiro e até na segurança operacional. Por trás de uma decolagem pontual, existe uma cadeia complexa de decisões, informações e alinhamentos entre diferentes agentes: companhia aérea, torre de controle, operadores aeroportuários, equipes de solo e órgãos responsáveis pelo gerenciamento do tráfego aéreo.
É nesse contexto que ganha destaque o conceito de Airport Collaborative Decision Making, mais conhecido pela sigla A-CDM. Em tradução livre, trata-se da Tomada de Decisão Colaborativa em Aeroportos, um modelo que busca integrar informações, processos e participantes da operação aeroportuária para tornar as decisões mais precisas, coordenadas e eficientes.
O estudo das autoras analisa a implementação do A-CDM em uma companhia aérea identificada como XYZ, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, durante o ano de 2023. O foco da pesquisa está em três indicadores fundamentais para compreender a eficiência das decolagens: TOBT, TSAT e SS.
Embora pareçam siglas técnicas, esses indicadores ajudam a responder a uma pergunta essencial para a aviação: como melhorar a previsibilidade e a pontualidade das operações em um ambiente tão complexo quanto um aeroporto internacional?

O que é A-CDM e por que ele é tão importante?
O A-CDM é um conceito operacional que surgiu a partir da necessidade de melhorar a gestão do tráfego aéreo e a coordenação entre os diferentes parceiros envolvidos nas operações aeroportuárias. A ideia central é simples, mas poderosa: quando todos os agentes trabalham com informações compartilhadas, atualizadas e padronizadas, as decisões tendem a ser mais eficientes.
Na prática, isso significa que companhias aéreas, administração aeroportuária, torre de controle, equipes de solo e demais envolvidos passam a atuar de forma mais integrada. Em vez de cada parte trabalhar apenas com seus próprios dados, o A-CDM cria uma lógica colaborativa, na qual todos acompanham informações relevantes para o desempenho da operação.
No caso de Guarulhos, essa integração é especialmente relevante. O aeroporto é um dos principais hubs (centros de conexão) da América Latina e possui grande importância para o transporte de passageiros e cargas no Brasil. Por isso, a implantação de um modelo colaborativo representa um avanço significativo para a gestão aeroportuária nacional.
Segundo o estudo, antes da implementação do A-CDM, a circulação de informações era mais limitada entre os participantes da operação. Com a adoção do conceito, a comunicação passou a ser mais organizada, favorecendo a previsibilidade, a pontualidade e o melhor uso da infraestrutura aeroportuária.
Entendendo TOBT, TSAT e SS
Para analisar o impacto do A-CDM nas decolagens, as autoras observaram três indicadores principais.
O primeiro é o TOBT, sigla para Target Off-Block Time. Ele representa o horário estimado em que a aeronave estará pronta para deixar o portão. Isso inclui etapas como embarque finalizado, portas fechadas, ponte de embarque removida e aeronave preparada para iniciar o procedimento de saída.
O segundo indicador é o TSAT, ou Target Start-Up Approval Time. Ele indica o horário-alvo para a autorização de partida, considerando fatores como a disponibilidade da pista, o fluxo de tráfego aéreo e as condições operacionais do aeroporto naquele momento.
O terceiro é o SS, ou Sequence Start. Esse indicador está relacionado ao início da sequência de movimentação da aeronave para a decolagem, dentro do planejamento operacional definido.
Esses três parâmetros são fundamentais porque ajudam a sincronizar as ações entre aeronave, companhia aérea, equipes de solo e controle de tráfego aéreo. Quando essa sincronização funciona melhor, há maior chance de reduzir atrasos, otimizar recursos e melhorar a experiência dos passageiros.

O que os dados de 2023 revelaram?
A pesquisa analisou dados mensais de 2023 relacionados às operações de decolagem da companhia aérea estudada em Guarulhos. Os resultados mostram que a eficiência operacional variou bastante ao longo do ano.
No caso do TOBT, os melhores desempenhos foram registrados em maio, com 43,8%, e fevereiro, com 44,58%. Já os meses de outubro e dezembro apresentaram os maiores índices, chegando a 77,96% e 80,37%, respectivamente. Como o próprio estudo aponta, valores mais altos indicam maior dificuldade em cumprir os horários planejados.
Essas variações podem estar associadas a períodos de maior demanda, sazonalidade, ajustes operacionais e condições específicas do aeroporto. Dezembro, por exemplo, costuma ser um mês de alta movimentação, o que pode tornar a operação mais desafiadora.
O TSAT também apresentou oscilações importantes. Maio teve o melhor resultado, com 1,52, enquanto fevereiro apresentou o maior valor, com 5,85. Isso indica que, em alguns meses, houve maior dificuldade na organização das autorizações de partida. O estudo observa que o TSAT teve melhor desempenho entre maio e setembro, possivelmente em função de menor demanda sazonal ou melhor coordenação entre os parceiros da operação.
Já o SS apresentou crescimento entre janeiro e maio, passando de 47,1 para 65,2. Em outubro, houve queda para 42,3, o que pode indicar ajustes nas operações ou variações na demanda de tráfego aéreo.
O mais importante, porém, é compreender que esses indicadores não devem ser analisados isoladamente. O desempenho de uma decolagem depende da relação entre planejamento, autorização, movimentação e uso eficiente dos recursos disponíveis. É justamente nessa integração que o A-CDM mostra sua relevância.
Uma mudança tecnológica e cultural
Um dos pontos mais interessantes do estudo é mostrar que o A-CDM não representa apenas a adoção de uma ferramenta tecnológica. Ele também exige uma mudança na forma de pensar e gerir as operações aeroportuárias.
A plataforma ACISP, citada no artigo, permite organizar e compartilhar informações entre os diferentes participantes da operação. Ao integrar dados de partidas, horários estimados, autorizações e indicadores de desempenho, a plataforma contribui para uma visão mais ampla e confiável do cenário operacional.
Isso reduz a dependência de decisões isoladas e favorece uma atuação mais colaborativa. Em vez de reagir aos problemas apenas quando eles acontecem, os envolvidos passam a ter melhores condições de antecipar situações, ajustar processos e tomar decisões com base em informações mais consistentes.
Essa mudança é especialmente importante em um setor como a aviação, no qual segurança, pontualidade e eficiência precisam caminhar juntas.
Por que esse tema importa para estudantes e profissionais da aviação?
Para quem estuda ou deseja atuar na aviação civil, o tema é extremamente relevante. A pesquisa mostra que a operação aérea moderna depende cada vez mais de dados, tecnologia, comunicação integrada e tomada de decisão colaborativa.
A pontualidade de um voo não depende apenas do piloto ou da companhia aérea. Ela envolve uma rede de profissionais e sistemas que precisam funcionar de forma coordenada. Equipes de solo, controle de tráfego, operadores aeroportuários, centros de operações e gestores precisam trabalhar com informações confiáveis e atualizadas.
Nesse sentido, compreender conceitos como A-CDM, TOBT, TSAT e SS pode ser um diferencial para estudantes, técnicos, gestores e profissionais que desejam se preparar para os desafios do setor aéreo.
O estudo também reforça a importância da pesquisa acadêmica aplicada à realidade operacional. Ao analisar dados de uma companhia aérea em Guarulhos, as autoras aproximam teoria e prática, mostrando como o conhecimento científico pode contribuir para melhorar processos reais da aviação.
Um convite à leitura completa
Esta matéria apresenta apenas uma visão geral do estudo desenvolvido por, Talita Nobre da Silva, Edna Ghiorzi Varela Parente e Elisete Dahmer Pfitscher. O artigo completo aprofunda a origem do A-CDM, sua aplicação no Brasil e no mundo, a escolha de Guarulhos como aeroporto pioneiro, os indicadores de desempenho analisados e as considerações sobre os resultados encontrados em 2023.
Para estudantes, pesquisadores, profissionais da aviação e interessados em gestão aeroportuária, a leitura completa é uma oportunidade de compreender melhor como a colaboração, a tecnologia e a análise de indicadores podem transformar a eficiência operacional dos aeroportos.
Acesse o artigo completo na Biblioteca da AEROTD e aprofunde seus conhecimentos sobre um dos temas mais importantes para o futuro da aviação.
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Referências
A-CDM. Circular oficializa operações A-CDM em Guarulhos. 2020. Disponível em: https://acdm.com.br/2020/10/27/circular-oficializa-operacoes-a-cdm-em-guarulhos/. Acesso em: 10 nov. 2023.
DECEA. DECEA implementa Operação A-CDM no Aeroporto Internacional de São Paulo. 2020. Disponível em: https://www.decea.mil.br/. Acesso em: 1 nov. 2023.
EUROCONTROL. The manual: airport CDM implementation. Bélgica, v. 5, mar. 2017. Disponível em: https://www.eurocontrol.int/. Acesso em: 31 out. 2023.
ICAO. Doc 9971 AN/485: Manual on Collaborative Air Traffic Flow Management. Canadá, 2014. Disponível em: https://www.icao.int/. Acesso em: 2 nov. 2023.
PARENTE, Edna Ghiorzi Varela; SILVA, Talita Nobre da; PFITSCHER, Elisete Dahmer. The use of Airport Collaborative Decision Making and the indicators of variation of Target Off-Block Time, Target Start-Up Approval Time and Sequence Start, in decolages at Guarulhos International Airport. Scientific Journal of Applied Social and Clinical Science, v. 4, n. 24, 2024. DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.2164242426111.
PIZOLATO, C. L. et al. Conceito A-CDM: análise da recente implantação do sistema no aeroporto de Guarulhos. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 7, n. 11, p. 109112-109124, nov. 2021.
SAIPHER. TATIC A-CDM. 2021. Disponível em: https://www.saipher.com.br/sistema-tatic-a-cdm. Acesso em: 7 jun. 2024.

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