Como a Governança Transforma Ideias em Impacto | Blog Decole seu Futuro – AEROTD
Postado em 1 de October de 2026
INOVAÇÃO SOCIAL: COMO A COLABORAÇÃO TRANSFORMA IDEIAS EM IMPACTO PARA A SOCIEDADE
Pesquisa com participação de docentes e bibliotecária da AEROTD revela como organizações de Florianópolis estruturam decisões, parcerias e conhecimento para ampliar resultados sociais.
O que faz uma boa ideia deixar de ser apenas uma intenção e se transformar em benefício concreto para uma comunidade? Muitas vezes, a resposta não está em uma tecnologia inédita, mas na capacidade de reunir pessoas, compartilhar conhecimentos e organizar decisões em torno de um propósito comum. Essa é a discussão que conduz o estudo “Governança orientada à inovação social (GovIS): um estudo multicaso em organizações com fins sociais de Florianópolis/SC”.
A pesquisa reúne cinco autores: Marcia Aparecida Prim, Gertrudes Aparecida Dandolini, Edna Ghiorzi Varela Parente, Rafael Bianchini Glavam e Mirian Garcia Menezes Barboza. Marcia Prim e Edna Parente integram o corpo docente da AEROTD, enquanto Mirian Barboza atua como bibliotecária da instituição. A participação desses profissionais evidencia uma dimensão importante da vida acadêmica: investigar problemas reais e tornar o conhecimento acessível a diferentes públicos.
Inovar também significa responder a necessidades sociais
É comum associar inovação à criação de produtos, aplicativos ou processos que aumentem a produtividade. A inovação social amplia essa perspectiva: busca respostas a necessidades coletivas e valoriza não apenas o resultado, mas a forma como ele é construído. A pesquisa apresenta a colaboração, a circulação de conhecimentos e a participação dos envolvidos como componentes centrais desse processo.
Isso significa que uma iniciativa não se torna socialmente inovadora apenas por ter uma finalidade positiva. É necessário considerar o problema que pretende enfrentar, as pessoas que participam da solução, a possibilidade de aprendizagem e a sustentabilidade das ações ao longo do tempo. O estudo aborda, entre outros desafios, educação, desigualdade e oportunidades de desenvolvimento comunitário.

Três organizações, diferentes trajetórias e uma pergunta em comum
Para compreender como a governança se estabelece na prática, os pesquisadores realizaram um estudo qualitativo de múltiplos casos envolvendo o Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICOM), o Instituto Pe. Vilson Groh (IVG) e o Instituto Guga Kuerten (IGK). As organizações foram selecionadas por critérios definidos na investigação, entre eles sua atuação em inovação social, reconhecimento e disponibilidade para participar da pesquisa.
A coleta reuniu análise de documentos, questionários, entrevistas semiestruturadas e registros de observação. As entrevistas ocorreram entre outubro de 2020 e fevereiro de 2021, por meios digitais, durante a pandemia de Covid-19. Esse recorte é relevante: os resultados retratam as práticas observadas naquele período e não constituem uma avaliação atual das três entidades.
Embora atuem em frentes distintas, os três casos permitiram investigar uma questão compartilhada: como organizar pessoas, recursos, responsabilidades e parcerias sem perder de vista a missão social? A análise levou à descrição de um sistema de Governança orientada à Inovação Social, denominado GovIS.
Governança: o que sustenta uma iniciativa além do entusiasmo inicial
A principal conclusão é que a missão social orienta a governança. Em outras palavras, o propósito precisa influenciar decisões cotidianas, relações com parceiros, divisão de responsabilidades, acompanhamento de resultados e prestação de contas. Não basta declarar um compromisso com a comunidade: é necessário criar condições para colocá-lo em prática.
O modelo identificado articula elementos internos e externos. Dentro das organizações, aparecem características como flexibilidade, capacidade de adaptação, aprendizagem, colaboração, redes e feedback. Também são importantes os princípios, os papéis de cada participante, os instrumentos formais e informais e a gestão. Fora delas, entram as necessidades sociais, as condições econômicas e institucionais, a legislação, a tecnologia e os parceiros. Os resultados esperados incluem fortalecimento da autonomia das pessoas, transformação social, aprendizagem comunitária e continuidade das organizações.
Um aspecto particularmente interessante é a combinação entre mecanismos formais estatutos, planejamento, controles, indicadores e relatórios e mecanismos informais, como confiança, diálogo e cooperação. A pesquisa mostra que a conexão entre regras claras e relacionamentos sólidos ajuda a transformar propósitos em atividades coordenadas.
O que essa discussão tem a ver com a formação em aviação?
A pesquisa analisou organizações com fins sociais, e não a AEROTD. Ainda assim, seus achados oferecem referências para refletir sobre iniciativas educacionais: ampliar o acesso ao conhecimento, criar conexões entre estudantes e profissionais, ouvir públicos envolvidos e acompanhar resultados são possibilidades de aplicação dos princípios discutidos, respeitadas as diferenças entre as instituições.
Na AEROTD, ações como o evento gratuito e on-line Empregos na Aviação 2026, previsto para 26 a 28 de outubro, e a articulação com a Rede Aviação aproximam formação, informação e oportunidades profissionais. As iniciativas não foram objeto da pesquisa nem devem ser apresentadas como resultados comprovados de inovação social; funcionam, aqui, como exemplos institucionais que convidam à reflexão sobre o valor das redes e do compartilhamento de conhecimentos.

Pesquisa acadêmica que amplia a conversa
O artigo oferece um modelo descritivo construído a partir de três casos, não uma fórmula universal. Os próprios autores indicam a necessidade de ampliar a investigação para outras organizações e aprofundar temas como redes de colaboração, aprendizagem comunitária, capital social e gestão de riscos. As limitações da pesquisa de campo durante a pandemia também precisam ser consideradas na leitura dos resultados.
Para quem estuda, ensina ou atua no setor aeronáutico, a contribuição mais provocadora pode estar na pergunta que fica: como o conhecimento produzido em uma instituição pode gerar conexões e respostas relevantes fora de seus próprios espaços? Conhecer o modelo GovIS é uma oportunidade de explorar caminhos para que boas ideias sejam acompanhadas de participação, organização e continuidade.
Leia o artigo completo
Acesse o estudo “Governança orientada à inovação social (GovIS): um estudo multicaso em organizações com fins sociais de Florianópolis/SC” e conheça a metodologia, os três casos analisados, o modelo proposto e as conclusões dos pesquisadores.
REFERÊNCIA
PRIM, Marcia Aparecida; DANDOLINI, Gertrudes Aparecida; PARENTE, Edna Ghiorzi Varela; GLAVAM, Rafael Bianchini; BARBOZA, Mirian Garcia Menezes. Governança orientada à inovação social (GOVIS): um estudo multicaso em organizações com fins sociais de Florianópolis/SC. Revista Tópicos, v. 4, n. 37, 21 set. 2026. DOI: 10.70773/.

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